*Por Paulo Giovani de Oliveira, professor do Anglo Vestibulares e do Colégio Anglo São Paulo

Importantes instituições de ensino requerem em suas provas a leitura de um certo número de obras literárias consagradas em nosso idioma. É uma forma de garantir que o estudante de ensino superior tenha um repertório cultural básico, comprovado nas habilidades e competências envolvidas na apreensão de significados complexos, presentes em textos de diferentes épocas. As provas são cada vez mais sofisticadas, requerendo que se conheçam efeitos de sentido sutis, criados por uma infinidade de recursos estilísticos. Se o estudante quiser mesmo ingressar numa faculdade de ponta, já deve estar bem consciente de que isso está longe de ser uma tarefa fácil.

Não são raros os alunos e alunas que recorrem aos conhecidos “resumos” de obras literárias em sua preparação para o desafio dos vestibulares. Na internet, basta digitar o título de uma obra para que os algoritmos completem a digitação com a palavra “resumo”. Mas o que é exatamente isso? Geralmente, esses resumos apresentam características gerais do estilo do autor, um apanhado rápido do enredo (quando se trata de uma narrativa) e uma descrição dos personagens mais relevantes. Quando se trata de uma obra de poesia, desenvolvem as linhas gerais abordadas pelos poemas e um rápido estudo crítico.

Podemos considerar o “resumo” como uma obra acessória, um instrumento de estudo que ressalta e indica pontos importantes dos livros abordados. Esses textos de apoio podem ser como faróis que iluminam o caminho que já foi ou que será trilhado por meio da leitura efetiva das obras. Têm função importante, por exemplo, nas vésperas da prova, quando devemos retomar de maneira rápida aquilo que já foi construído pela leitura mais atenta.

Todos sabemos que a internet é uma espécie de campo aberto em que podemos encontrar, com sorte, ótimos materiais de estudo. Há também, entretanto, uma infinidade de trabalhos que não são tão bons assim. Como os distinguir? Por meio da experiência com a leitura e com o desenvolvimento da nossa intuição.

E, afinal, é possível acertar questões só lendo os resumos das obras? Claro que é possível, visto que qualquer prova traz questões com graus diferentes de dificuldade. Se o estudante tiver sorte e for um leitor atento, pode acertar as mais fáceis. Mas, como foi ressaltado, os resumos são um material acessório de estudo. Nunca substituirão a leitura atenta e aprofundada de obras literárias que se consagraram na tradição justamente pela capacidade de consolidar amplas visões de mundo por meio de expressivas construções linguísticas.

A concorrência pelas vagas é grande. Ler apenas os resumos é quase como a tábua de náufragos, a que se agarram os mais desesperados. A aluna e o aluno conscientes do grande desafio que é passar no vestibular trabalham com planejamento e dedicação: leem antecipadamente as obras e, para aprofundar o estudo, leem também os textos acessórios de estudos críticos.

Boa leitura!

Fonte Oficial: UOL Educação.

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